Casar ou morar junto?

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Minha resposta a essa pergunta costuma ser bem clara: se vai morar junto com o namorado, por que não se casar logo com ele? A lei dá especial valor ao relacionamento estável, mas não deixa de reconhecer o princípio de que o casamento deve ser o caminho ideal para a constituição da família.

Se o casal optar por morar junto para fazer um teste a fim de descobrir se “dá certo”, antes de se casar, o melhor é determinar um limite de tempo para a experiência.

Casar ou morar junto é uma questão pessoal do casal. Assim, apenas os dois, juntos, poderão decidir o que é melhor para ambos.

É bom lembrar que ser testado pelo outro pode ser bastante angustiante. Até porque se existe a necessidade de testar o parceiro é porque não se sente seguro, não é mesmo?

Morar juntos e casar, na prática, é a mesma coisa. O que muda mesmo é o fato de o casamento envolver a realização de uma cerimônia pública, com juiz de paz, a qual, depois, fica registrada em uma certidão.

Por isso, acredito que se a pessoa tem dúvida, melhor é que não se case nem more junto.  Minha experiência mostra que casais que moram juntos tendem a se separar com mais facilidade quando brigam. Isso porque o casamento é visto como uma relação a longuíssimo prazo, ao passo que a relação não oficializada tende a ser encarada pelo casal como “namorando debaixo do mesmo teto”, ficando muito mais fácil abrir mão do namorado e voltar para a casa dos pais.

O que importa é se os dois estão satisfeitos com o tipo de união escolhida. Na prática, insisto, não há diferença entre casar e morar junto. Há casos de empresas tradicionais que não oferecem ao parceiro ou companheiro alguns benefícios estendidos ao cônjuge, como seguro saúde, por exemplo.

Casar é importante porque marca uma etapa importantíssima da vida, quando se assume o amor por uma pessoa e se compromete publicamente a conviver com ela. Legalmente, no que diz respeito aos direitos civis, não importa se o casal mora junto ou oficializou a relação com uma certidão de casamento.

Na minha opinião, casar é muitíssimo melhor que morar junto, sob todos os aspectos: psicológico, emocional, espiritual, familiar e legal. O casal casado vê o cônjuge com outros olhos, leva a relação mais a sério, releva pequenas falhas porque o objetivo é a longo prazo, investe na melhoria do relacionamento como um todo, planeja o futuro com mais segurança.

É preciso lembrar, ainda, que em caso de separação e falecimento, os direitos dos cônjuges e dos companheiros são totalmente diferentes. Portanto, no que tange à questão patrimonial, certamente é muito mais seguro estar casado "no papel".

 

"Procure sempre seu advogado de confiança".

(Escrito por PATRICIA GARROTE, advogada especialista em Direito Civil e Direito de Família. Publicado no site em 2012. Todos os direitos autorais deste texto são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998. A reprodução desta publicação, no todo ou em parte, sem autorização expressa do autor ou sem mencionar a fonte, constitui violação dos direitos autorais.)