Guarda: PAIS RESPONSÁVEIS - criação e custeio são tarefas de ambos os pais

Imprimir PDF

Criar os filhos é tarefa de ambos os genitores, na proporção de sua capacidade, observando as necessidades inadiáveis dos menores que não podem prover seu próprio sustento.

A esse princípio fundamental dá-se o nome de maternidade e paternidade responsáveis, conceito em plena vigência nos dias atuais que merece especial atenção.

Na separação, à mãe, ressalvadas raras exceções, tem cabido a maior parte dos cuidados e das despesas com os filhos, ferindo de morte o princípio da paternidade responsável.

Explico.

Quem tem a guarda costuma gastar mais, fazendo verdadeiros malabarismos para manter o padrão de vida a que os rebentos estão acostumados, contando, muitas vezes, com os avós (seus pais) nessa empreitada. Geralmente o genitor guardião utiliza de 90% a 100% de seus rendimentos no sustento da casa e dos filhos, sacrificando suas despesas pessoais.

Noutro giro, ao genitor não-guardião cabe o pagamento da pensão alimentícia, calculada sobre 20% a 30% do salário, sobrando-lhe o restante para despesas pessoais.

Às claras a conta é injusta.

Ao pai não-guardião é garantido o direito de visitas e a obrigação de contribuir com parte do sustento dos menores na proporção de sua verdadeira capacidade financeira. Porém, na prática, não é isso que acontece. O pai quer conviver com os filhos, participando ativamente de sua educação e criação — o que é louvável e merece ser estimulado. Todavia, na hora de dividir as despesas desses filhos com a genitora, argumenta, briga, recusa-se a colaborar de forma efetiva, obrigando a mãe e/ou a família materna a custear a maior parte dos gastos.

Judicialmente, na maioria das vezes, os alimentos são fixados em valor que não atende a real necessidade do filho e sem considerar que sua mantença não pode ser adiada, o que acaba onerando a família materna e gerando desequilíbrio nas relações familiares.

Por óbvio, quem paga mais se ressente de quem, podendo, não se importa, não colabora, não abre a carteira, tem outras prioridades financeiras.

Ora, a mãe, porque detentora da guarda, não deve ser responsabilizada pelo custeio de todas as despesas do filho, ou de sua maior parte, especialmente aquelas imprevisíveis e inarredáveis, como festinha, presentinhos para os amiguinhos que fazem aniversário (toda semana..), viagens curtas de lazer, o brinquedo legal tão importante, o videogame, joguinhos, TV a cabo, internet, roupas porque o filho cresce todo dia e o pé não cabe mais no sapato, a meia que se perdeu, o livro que caiu na piscina e é preciso comprar outro, a mochila que rasgou, o aparelho no dente, o remédio super caro, o skate da moda. Somadas, essas despesas rotineiras vão sobrecarregando o orçamento e fomentando a discórdia, porque não partilhadas em proporção equânime.

Ao pedir ao genitor que a ajude a pagar uma conta extra do filho naquele mês, a mãe acaba se humilhando, como se estivesse pedindo um favor. O pai, por outro lado, informa que não dispõe do valor pleiteado, ou reclama, porque não entende as necessidades da criança, não convive, não quer saber.

Mais triste ainda é quando a mãe tem de dizer “não” a um filho que pede algo importante porque ela não dispõe de dinheiro e o filho sabe que o pai poderia pagar mas não quer, não pode, não está disponível, não se interessa, tem outras prioridades.

A sobrevivência alimentar é um direito fundamental da criança e está relacionada com o sagrado direito à vida — vida essa que, para acontecer de forma plena, deve contar com a colaboração total dos pais, seja afetivamente, seja financeiramente.

Não fujam dessa (deliciosa) responsabilidade.


Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar